quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A Luz do Vencedor

Bem, seguindo no projeto de que se crie uma intimidade maior com o mundo do samba, hoje trazemos ao blogue um que é considerado por muitos o maior, se é que existe, sambista de todos os tempos e que se encaixa perfeitamente em nossos propósitos por sua grande consciência e engajamento não só na música mas no que se pode chamar de um "movimento samba", um misto de consciência social e resistência social numa época que os "novos movimentos sociais" ainda engatinhavam lá pela terra do Tio Sam e nem se pensava muito nisso pelos lados de cá. Com vocês: Mestre Candeia.

Figura genial, polêmica e hoje já pertencente ao mundo dos mitos (como atesta a história de seu atentado), Antônio Candeia Filho nasceu em 17/8/1935 no Rio de Janeiro e faleceu em 16/11/1978 na mesma cidade. Desde criança teve contato com o samba (por intermédio de seu pai, flautista) e, ao longo do tempo, teve contato com os mais diversos aspectos da cultura negra, quais sejam a capoeira, o candomblé e as escolas de samba.

Celébre no mundo do samba (com seu primeiro enredo a Portela alcançou a nota máxima em um desfile, em 1953, com o samba Seis Datas Magnas), Candei também foi uma figura controversa, em 1961 entra para a polícia, o que gera um certo desconforto da parte de seus parceiros de boemia, que lhe acusavam de truculência, diz-se que chegou a enquadrar seu própio irmão!!

Mas devemos lembra de Candeia por seu excelência nesse ritmo mor da cultura brasileira e pela sua luta pela proteção da cultura do povo, sua memória e protagonismo social. Politizado, Candeia funda em dezembro de 75 a Escola de Samba Quilombo, que deveria carregar a bandeira do samba autêntico. Numa frase famosa, afirma: “Liberdade demais dá cadeia." Não foi à toa que o Mestre foi alçado ao panteão dos mitos urbanos do Rio de Janeiro.

Uma das facetas que confirma sua celebridade e a certa mística que o cerca é a história da tragédia que mudaria sua vida para sempre. Diz-se que, ao esbofetear uma prostituta, ela rogou-lhe uma praga; na noite seguinte, ao sair atirando do carro num acidente de trânsito, leva um tiro na espinha que paralisaria para sempre suas pernas que o levaria a entrar em um período de certa reflexão e reclusão.

Por volta de 75, Candeia volta à ativa. Funda a Escola de Samba Quilombo, compôe seu incrível Testamento de Partideiro e retorna às rodas de samba.

O Mestre vem a falecer em 1978, ano em que grava seu disco Axé, que ainda hoje é considerado um dos mais importantes da história do samba.

Sua obra continua dinâmica até hoje, sendo gravado e regravado por nomes como Cartola (outro grande!), Marisa Monte, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho entre outros.

Para mais detalhes de sua biografia, clique aqui.



Para o download do histórico disco Axé, clique na imagem.

2 comentários:

Matheus Rodrigues disse...

É sempre válido ressaltar que faltam muitos detalhes da vida de Candei no texto, é só uma noçãozinha...
Qualquer adendo, será bem-vindo, discussões por aqui tbm!! hehe
Que venham as críticas (sempre abundantes na história!!)

Salve Candeia! Salve o Samba! Larôye!

Renato Alves disse...

Boa Matheus!Este albúm,juntamente com o do Cartola de 68,se não me engano,disputam o tíulo de melhor obra de samba de todos os tempos.E digo mais,deveríamos fazer um trabalho mais a fundo sobre esses bambas,muitas figuras próximas à eles ainda estão vivas e podem ter muito a nos dizer.Axé!